O que comprar coisas faz com seu cérebro

Se iniciamos algo sem ter um objetivo claro em mente e, ainda pior, se o objetivo que traçamos não nos faz sentir uma motivação verdadeira (chame de tesão mesmo, se quiser), a possibilidade de conseguirmos persistir por tempo suficiente para atingir uma meta de tão longo prazo como a liberdade financeira é tão baixa que se afogaria em uma piscina infantil. 

A liberdade financeira deve ser vista mais como uma maratona e não como corrida de 100 metros, justamente o contrário do que muitos teimam em se iludir na fantasia de enriquecimento rápido. Atingir a liberdade financeira necessita de um trabalho diário e constante e, principalmente, da mentalidade e o arcabouço (equilíbrio)  emocional correto. Como diria um amigo querido:


"Rápido só se fica pobre, ficar rico é devagar mesmo"

Agora um segredo: dinheiro, se usado de maneira equivocada, não só não vai nos fazer feliz como podemos até descobrir  (surpresa, que rufem os tambores) que o próprio acúmulo de capital vai te deixar MUITO muito infeliz. Não é questão de ficar no 0 a 0 em matéria de felicidade, e sim, de entrar no campo negativo justamente porque está tentando acumular dinheiro pelos motivos e razões equivocadas! 

E aqui está a razão mais idiota para correr atrás de dinheiro e buscar independência financeira:

ACREDITAR NA IDÉIA COMUM E COMPLETAMENTE ERRADA DE QUE COMPRAR COISAS TE FAZ MAIS FELIZ E QUE NÃO COMPRAR TRANSFORMA SUA VIDA EM UM FRACASSO

Caso a primeira coisa que venha a sua cabeça quando  pensa em ter "muito dinheiro" (bastante relativo) e "ser rico" (também relativo) seja adquirir coisas (leia-se: passivos que não geram renda e  levam a perder dinheiro com manutenção, impostos, taxas, etc), você ainda está muito distante de atingir a liberdade financeira e seria bom repensar a sua meta e o objetivo pelo qual está acumulando dinheiro. 

Duas situações comuns que sempre encontro de pessoas que se iludem e caem nessa falácia:

Primeira situação:

Pode ser que a pessoa seja pobre e nunca tenha tido a possibilidade ou acesso para comprar e acumular um monte de objetos "desejos de consumo" para descobrir que isso  traz exatamente 0,00001% de felicidade (cálculos complexos e algoritmos extensos e sobrenaturalmente complicados foram utilizados para chegar a essa conclusão ou foi só o resultado da minha própria experiência comprando o que eu não precisava tentando preencher um vazio emocional...) 

Neste caso, acho até  bastante compreensível, uma vez que sem experienciarmos algo por conta própria é natural que vamos acreditar no que nos dizem ou na experiência de outros. E até mesmo o bêbado sentado ao seu lado no bar sabe que toda nossa cultura e sociedade faz propaganda o tempo todo sobre tudo para tentar nos convencer que CONSUMO=FELICIDADE E BEM ESTAR. 

Broadway: Propaganda tentando nos convencer a consumir e comprar coisas das quais não precisamos, com dinheiro que não temos

Não me acredita? Ligue a televisão. Mas, pelo amor de Deus, só por uns 5 minutos e desligue isso, na verdade, se você possui televisão e tem hábito de assistir, faça um favor ao seu cérebro e ao seu eu futuro e pare hoje mesmo de envenenar sua mente com isso.

Segunda situação (muito mais grave):

Pessoas que possuem acesso e poder aquisitivo suficiente para comprar coisas, porém são cegas e ignorantes o suficiente sobre o próprio estado emocional para compreender que o que estão sentindo ao comprar algo não é felicidade verdadeira, máximo que você vai tirar da experiência é um pico breve e muito fulgaz de dopamina que vai passar bem bem rapidamente assim que você se acostumar com o objeto/sensação.

Esse processo de adaptação e DESSENSIBILIZAÇÃO a qualquer experiência prazerosa é parte FUNDAMENTAL de como o cérebro humano funciona, criando TOLERÂNCIA a qualquer tipo de estímulo que você possa receber.

O ato de ficar COMPRANDO UM MONTE DE COISAS, assim como usar alguma substância psicoativa como COCAÍNA/MACONHA/ÁLCOOL, leva o cérebro a se adaptar, podendo passar por 4 fases diferentes: 

Fase 1 (Grande prazer): Nas primeiras vezes a pessoa sente a liberação de muita dopamina em determinadas regiões do cérebro (Núcleo accumbes)  e experimenta aquela sensação prazerosa e empolgante, exatamente o tipo de sensação que leva a maioria das pessoas (não todas) a querer repetir a experiência.

Fase 2 (Pequeno prazer): Repetindo várias vezes o ato, a natureza começa a operar sua mágica e criar TOLERÂNCIA para aquele estímulo. De repente, a pessoa se descobre precisando cada vez de doses maiores ou de mais coisas caras e “exclusivas" para ter a mesma sensação daquela “primeira dose”

Fase 3 (Ausência de prazer): Se a pessoa continua usando substâncias ou comprando coisas começa a entender que, apesar de estar utilizando doses maiores, não sente mais prazer com isso, ou seja, 0 de dopamina por real gasto! Como assim, zero? Pois é, o cérebro cansou da brincadeira, criou tanta tolerância na tentativa de se salvar do excesso de "excitação dopaminérgica" que agora a pessoa já não sente mais nada.

Fase 4 (Tentar evitar o “desprazer”): E quando, apesar dos avisos, a pessoa decide passar da fase 3? Agora o que  acontece é não só essa pessoa não tem mais prazer como precisa usar a substância/comprar para evitar a dor e o desprazer, isso mesmo, sem a substância/compras a pessoa agora sente mal se para com aquilo e nem tem esperança mais de sentir prazer, só deseja evitar a dor que é ficar sem.

- "Mas, Dr. Liberdade e aquele carro BMW lindo? Com certeza vou ser bem mais feliz quando comprar ele!"

Então, provavelmente estamos usando uma definição diferente para a palavra FELICIDADE. Dinheiro é muito importante para adquirir liberdade (o famoso "fuck you money") e esta liberdade vai te proporcionar uma possibilidade muito maior de se realizar como ser humano e pessoa e atingir uma vida mais plena e feliz.

Dr. LF

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